terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Gerenciamento de Risco aplicado ao Transporte de Cargas

Os empresários brasileiros da área de transportes estão preocupados com o andamento de seus negócios. Além da grande competitividade do setor, a criminalidade e o índice de acidentes preocupam e impactam diretamente na atividade de transporte. Por isso é necessária a busca de novas alternativas que além de mitigar os prejuízos em seus negócios, possam contribuir para a qualidade dos serviços prestados.

De acordo com dados da Susep, fazendo um comparativo entre os primeiros seis meses de 2010 com o mesmo período de 2009, o prêmio direto nos ramos de transportes (nacionais e internacionais), incluindo todas as suas modalidades, teve aumento de mais de 12%. Isso representou um prêmio direto de mais de R$ 881 milhões em apenas seis meses. Esses dados mostram o aumento da preocupação do setor em proteger o seu patrimônio e o de seus clientes contra um possível roubo/furto ou algum tipo de acidente.

Em relação à sinistralidade, houve uma redução global de 6 pontos percentuais de janeiro a junho deste ano, sobre o mesmo período do ano passado, atualmente em 56%. Mesmo com esta redução, este ainda é um índice elevado, portanto é preciso uma ação conjunta, do poder público e setor privado para diminuir essas estatísticas alarmantes. Investimentos para uma melhor infraestrutura nas rodovias, além de programas de conscientização para os motoristas seriam pontos primordiais para o bom andamento do transporte de cargas pelas rodovias brasileiras, que ainda é o modal mais utilizado para escoamento de tudo o que é produzido internamente.

O roubo de carga é, sem dúvida, um fator de grande comprometimento de resultado das apólices. De acordo com levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), entre janeiro e dezembro de 2009, foram registradas mais de 7,7 mil ocorrências de roubos de carga no Brasil. Isto representa mais de R$ 282 milhões.

Entretanto, não podemos deixar de mencionar a grande quantidade de sinistros decorrentes de colisões e tombamentos. A precária situação das estradas brasileiras, o baixo nível de manutenção dos veículos e o apertado ‘transit time’ adotado por alguns transportadores têm provocado grandes prejuízos com perdas e danos às mercadorias.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é o fator humano. Além de todos os agravantes estruturais que influenciam na segurança de um motorista, por exemplo, as cargas horárias excessivas dos motoristas, somada às más condições das rodovias no Brasil, acendem o sinal de alerta para a segurança no transporte. Por este motivo, está sendo discutido o Projeto de Lei 2660/96, que limita a quatro horas ininterruptas o tempo de direção do motorista de caminhões e ônibus. Portanto, o controle das atividades deste motorista é fundamental. Com auxílio da tecnologia e um bom sistema de gerenciamento de riscos, é possível ficar atento ao percurso percorrido pelo caminhão, qual é a carga transportada, que tipo de caminhão fará o transporte, qual é a experiência do motorista, quais os serviços e equipamentos de segurança disponíveis, entre outros aspectos. Além disso, o histórico de transportes anteriores envolvendo aquele tipo de carga contribui muito para a análise do risco que, consequentemente, influenciará no prêmio do seguro contratado.

O Brasil desperdiça anualmente cerca de R$ 7,7 bilhões por conta de acidentes com caminhões no Brasil. São cerca de 110 mil acidentes envolvendo caminhões em todo o território nacional, onde grande parte da malha viária se encontra em situações precárias para o trânsito de veículos. Nas rodovias federais, o impacto financeiro total dos registros com os veículos de carga foi calculado em R$ 2,336 bilhões. Tanto o fator humano quanto as características e condições da via são parâmetros sobre os quais é possível agir. É possível então reduzir os acidentes mediante providências adequadas.

Investir no ser humano e na infraestrutura da malha rodoviária brasileira não é o suficiente para a redução dos índices de acidentes durante o transporte. A tecnologia tem sido a nossa aliada para diminuirmos os prejuízos para toda a cadeia transportadora. São ferramentas que auxiliam o motorista a seguir suas rotas sem desvios ou as que impedem que um motorista alcoolizado dê ignição no caminhão. Esta tecnologia já é utilizada na Europa e tem reduzido consideravelmente as perdas provenientes da imprudência dos motoristas.

Precisamos estar mais atentos em toda a segurança que envolve o setor de transportes nacional. Estarmos alinhados com as oportunidades e as soluções desenvolvidas pelas seguradoras que contribuem para o bom andamento desta máquina que transporta mais de 60% do que é produzido no Brasil.

O seguro de transportes está diretamente atrelado ao desempenho da economia. Se a produção industrial, agrícola e o consumo crescem, a demanda para transportar o que é produzido evolui naturalmente e, como consequência, a procura pelo seguro de transportes. Nosso país tem uma grande capacidade de ampliar ainda mais o nosso mercado e crescer a passos largos, basta agirmos com segurança e prudência.

* Ailton Souza - diretor da Rodobens Corretora de Seguros

FONTE: Revista Cobertura - Nº 107

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