domingo, 17 de abril de 2011

(SP) 51,21% dos roubos de carga são na capital

A cidade de São Paulo concentra, sozinha, 51,21% dos casos de roubos de cargas no Estado, segundo levantamento do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região). A maior parte dos casos ocorreu na zona leste (29,64% ou 1.107), seguida da zona sul, com 1.003 (26,85%). Uma das explicações é que as principais rodovias que cortam a capital estão nessas regiões.

Em 2010 foram 7.294 ocorrências no Estado. Além das 3.735 (51,21%) em ruas da capital, foram anotadas 1.553 (21,29%) em estradas. Cidades da Grande São Paulo tiveram 1.307 (17,92%), e os municípios do interior foram palco de 699 roubos (9,58%).

Apesar de ainda ser alto, o número é inferior ao de 2009, que teve 7.776 registros (6,2% mais). Na capital, a queda foi maior: 11,8% (em 2009, tinham sido 4.236).

Somados, os prejuízos que as empresas tiveram chegam a R$ 279,8 milhões, valor pouco inferior a 2009, de R$ 282 milhões.

Um por dia

De 2007 a 2009, a rodovia Dutra era o palco da maioria dos roubos de cargas. Essa tendência foi revertida em 2010, quando a Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Paraná, assumiu a "ponta" e teve quase um roubo por dia: 353 (22,73% do total). O que chama mais a atenção é que esses casos ocorreram apenas no trecho paulista.

Entretanto, a Dutra ainda continua com muitos casos. Foram 220 em 2010 (14,17%), 30 a menos do que 2009.

Principal ligação de São Paulo a Belo Horizonte (MG), a Fernão Dias vem em terceiro, com 114 casos (7,34%).

Régis é campeã de roubos de carga no Estado

O número de acidentes fatais, uma morte a cada dois dias no ano passado, fez com que a Rodovia Régis Bittencourt ficasse conhecida como a "rodovia da morte". Em 2010, a via - que liga São Paulo ao Paraná - também foi classificada pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Carga do Estado de São Paulo (Setcesp) como a mais perigosa para os caminhoneiros. Desbancou a Dutra - que desde 2007 era onde mais ocorriam roubos de carga, segundo levantamento da entidade - e assumiu a liderança de um triste ranking, com 353 ocorrências em 2010, quase um assalto por dia, só no trecho paulista.

Segundo o coronel da reserva do Exército Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança do Setcesp, os 30 primeiros quilômetros das rodovias próximos à capital paulista são os mais perigosos. "As quadrilhas costumam atacar o mais perto possível de onde vão ter de entregar o produto roubado. E os grandes receptadores têm lojas legalmente estabelecidas na metrópole", revela. De acordo com ele, o crime organizado atua onde há menos fiscalização. "Se a polícia aperta o cerco em determinado trecho de rodovia, os bandidos migram para outro ou até para outra rodovia", afirma Souza.

Causas

Caminhoneiros ouvidos pelo JT na manhã de ontem em três postos de gasolina da Régis Bittencourt apontam as causas para o roubo de carga na rodovia: congestionamentos, falta de sinalização, e, principalmente, de iluminação e de policiamento.

Genésio Andrzejich, de 47 anos, afirma que a chegada da Régis a São Paulo é um dos pontos críticos. "O caminhão fica meia hora parado no trânsito, sem nenhum policial por perto." Ele lembra que, em 2005, foi assaltado no local, por volta das 20h. "Apontaram o revólver e mandaram encostar. Depois de roubarem o caminhão, ficaram rodando comigo em uma Kombi." O caminhoneiro, que vem de Santa Catarina, passa por São Paulo para entregar produtos químicos no Nordeste.

De janeiro a março de 2011, o Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) prendeu 72 pessoas envolvidas em 28 crimes de roubo e receptação de carga. O delegado Adilson da Silva Aquino, chefe da Divisão de Investigações Sobre Furtos e Roubos de Carga e Veículos (Divecar), disse que as quadrilhas são compartimentadas. "Há um grupo para roubar, outro para intermediar a carga ou o caminhão roubado e os receptadores", explica o policial.[2]

Segundo o inspetor Edson Varanda, porta-voz da Polícia Rodoviária Federal, o número de roubos de carga na Rodovia Régis Bittencourt é inferior ao divulgado pelo sindicato. "Mesmo sem as estatísticas, garanto que não passa de 170 casos", afirma. Segundo o Setcesp, o levantamento é feito com base no registro de BOs.

FONTE: GUIA DO TRC

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