segunda-feira, 18 de julho de 2011

(SP) Gerenciamento de Risco em debate no 23º Fórum Paulista do Transporte

O SETCESP realizou ontem, em sua sede, a 23ª Sessão do Fórum Paulista do Transporte, evento que a cada edição elege um tema de grande interesse do setor para colocar em pauta e promover debates que possam ajudar nos rumos do setor de transportes.

O tema escolhido para esta edição foi “Gerenciamento de Risco: Problemas e Soluções”, assunto que concerne a todas as empresas de transporte, que vivem sob a égide do roubo de cargas, que causa diversos prejuízos e coloca as transportadoras na defensiva, obrigadas a investir grandes somas em ações de gerenciamento de risco, tais como escolta, rastreamento, seguros e tantos outros custos para as empresas.

Ocorre que as empresas têm passado por dificuldades na relação com corretores de seguros, seguradoras, empresas de rastreamento e gerenciadoras de risco, tendo que cumprir procedimentos desencontrados e diversos outros detalhes que atrapalham no dia a dia das operações.

“Este evento é uma iniciativa da COGER, Comissão de Gerenciamento de Risco do SETCESP, que foi criada para melhorar a relação das transportadoras com as gerenciadoras de risco. Por meio desta comissão, queremos canalizar as demandas dos associados e ajudar em assuntos como cadastros de motoristas, PGRs, rastreadores e diversos outros temas. Nosso diretor, Gil Cohen, que está à frente da COGER, conhece o assunto profundamente e está atento aos problemas das transportadoras”, disse o presidente Francisco Pelucio na abertura do evento.

Após a abertura, a primeira palestra foi ministrada por Urubatan Helou, empresário, presidente da Braspress, ex-presidente do SETCESP e atual membro do Conselho Superior da entidade. Helou apresentou à plateia com mais de 300 pessoas, recorde de público, a visão do empresário com relação às dificuldades com assuntos de gerenciamento de risco.

“Temos hoje muitos players no gerenciamento de risco e as empresas são obrigadas a cumprir muitos PGRs diferentes, que atrapalham nas operações. Uma solução para a maioria dos problemas que temos nesta área seria unificar os cadastros de motoristas e padronizar os Planos de Gerenciamento de Risco. O transportador é que paga a conta dos riscos com o roubo de cargas, com custos em cascata e abusos por parte dos prestadores de serviços”, disse Urubatan em sua palestra.

Em seguida, o Inspetor Márcio José Pontes, superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Estado de São Paulo, apresentou o tema “Bloqueios de veículos nas rodovias – acidentes / responsabilidades”, em uma apresentação que mostrou na prática o que acontece com os veículos de cargas que têm problemas com sinal de rastreador e acabam bloqueados, gerando transtornos nas rodovias.

O representante da seguradora Tokio Marine, Tiago Holanda de Santana, foi o terceiro palestrante e apresentou o papel das seguradoras na elaboração dos programas de gerenciamento de risco.

O presidente da Gristec, entidade que representa as gerenciadoras de risco e empresas de tecnologia de rastreamento, Cyro Buonavoglia, participou do evento e apresentou o tema “Cadastramento de Motoristas, homologação por outras gerenciadoras – possibilidades”, palestra na qual revelou as dificuldades das gerenciadoras em unificar os cadastros de motoristas, já que existem diversos níveis de empresas e cada cadastro tem suas peculiaridades. “Este tema preocupa. A Fenseg sinalizou que, que as exigências do Ministério Público do Trabalho em retirar os dados creditícios e criminais dos cadastros podem fazer com que as seguradoras simplesmente não trabalhem mais com motoristas autônomos”, disse Cyro, que ressaltou as dificuldades em compatibilizar os estágios de desenvolvimento das empresas de gerenciamento de risco e em aceitar todos os perfis de profissionais indistintamente.

Reynaldo Lima, do Sescon, entidade que representa os gerenciadores de risco, trouxe o tema “Cadastro de Motoristas, responsabilidade das gerenciadoras na liberação”. O assunto do cadastro dos motoristas e suas conseqüências legais foi tema da palestra do assessor Jurídico do SETCESP, Narciso Figueirôa Júnior, que apresentou as repercussões legais dos cadastros e da invalidação de profissionais. “É necessário seguir os preceitos constitucionais de não discriminação, bem-estar de todos e inviolabilidade da vida privada e ter muita cautela nas exigências para a contratação de profissionais, caso contrário alguns princípios trabalhistas podem ser feridos e o contratado pode solicitar indenização por dano moral. As transportadoras ficam em uma situação difícil, sem opção, pois são obrigadas a negativar um motorista por causa da gerenciadora de risco e do seguro. Se acata a sugestão da gerenciadora, pode estar sujeita a pagar indenização ao motorista, se não acata, perde o seguro, criando um ciclo vicioso em nosso setor”, disse Narciso.

O presidente da Zatix, grupo do qual faz parte a Omnilink, Martin Hackett, fez uma apresentação sobre as tecnologias de rastreamento e a ação dos jammers, aparelhos que bloqueiam o sinal dos rastreadores, facilitando a vida das quadrilhas de roubo de cargas. “Hoje no mercado ainda não existe nenhum equipamento que consiga burlar a ação dos jammers e estamos investindo pesado para melhorar a confiabilidade dos equipamentos e buscar soluções contra este tipo de tecnologia”, disse Hackett.

Marcos Aurélio Ribeiro, assessor Jurídico do SETCESP, proferiu a palestra “Responsabilidades das Gerenciadoras de Risco – validade das cláusulas de isenção de regresso (DDR)”, assunto de grande interesse para as transportadoras. Para Ribeiro, a DDR é uma distorção que não tem qualquer necessidade para o setor. “Estão colocando na apólice de seguro a indicação para a contratação de uma determinada gerenciadora de risco e imputando o pagamento ao transportador. Ora, isso é uma venda casada. O cliente da gerenciadora de risco é o transportador, mas no momento do sinistro, ela trabalha para livrar a seguradora da responsabilidade da cobertura. Estamos diante de um conflito ético”, relatou.

A última palestra do Fórum foi proferida pelo gerente de segurança do Departamento de Logística da LG, fabricante de equipamentos eletrônicos, Rafael Ribeiro da Silva. Coube a ele trazer a visão do embarcador e seu papel no gerenciamento de risco. Rafael demonstrou as ações da empresa para evitar o roubo de cargas.

“Foi um evento extremamente proveitoso e com conteúdo de alto nível. Estamos muito satisfeitos com a realização deste Fórum e com o fato de poder proporcionar aos nossos associados um debate tão importante para as empresas de transporte”, comentou o presidente Francisco Pelucio.

FONTE: SETCESP

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