domingo, 31 de outubro de 2010

Porto de Manaus (AM) amarga R$ 30 milhões em prejuízos com deslizamento de terra

Acidente ocorrido há duas semanas ameaça a logística da Região Norte do País. Seis áreas do terminal já foram interditadas a pedido do MPT (Ministério Público do Trabalho)

Um deslizamento de aproximadamente 30.000 m² de terras ocorreu na margem do Porto Rodofluvial Chibatão, um dos maiores complexos portuários do Estado do Amazonas, localizado na margem do Rio Negro, em Manaus. O acidente, ocorrido no último dia 17, danificou 68 carretas e 56 contêineres, sendo que cada um deles levava, em média, R$ 200 mil em cargas. De acordo com a SETCAM (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Amazonas), o prejuízo total se aproxima de R$ 30 milhões.

Cerca de 30 transportadoras sofreram prejuízos com o deslizamento, mas as perdas são inestimáveis, pois as cargas perdidas pertenciam a inúmeras empresas de diversos setores. “Nós tivemos uma carreta aterrada, e com isso tivemos um prejuízo de aproximadamente R$ 400 mil, incluindo o valor da mercadoria”, comenta Gabriel Armiliato, diretor de marketing da transportadora Jatex, que opera no porto.

O primeiro Secretário do Sindicarga (Sindicato dos Trabalhadores de Cargas do Amazonas), Geraldo Roger da Silva Filho, afirmou que as atividades do Porto continuam. “Apesar de o Porto estar parcialmente interditado, pois ainda há riscos de deslizamento, o descarregamento está ocorrendo normalmente, com a diferença de que as cargas se dirigem direto ao destino, com os contêineres não permanecendo no Porto”, diz o dirigente.

Ainda de acordo com o secretário, se o terminal interrompesse totalmente as atividades, ocorreria um colapso no distrito industrial local, já que 70% do abastecimento é realizado por meio do Porto.

Trabalho arriscado

Trabalhadores operavam em condições de risco até a última quinta-feira (28/10), quando o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou a interdição de seis áreas consideradas de risco, sendo elas: o cais flutuante; duas rampas de descarga de mercadorias; pátio de armazenagem de contêineres; balança do porto e uma área de dez metros a partir do local onde ocorreu o deslizamento de terra.

O terreno do porto privado foi avaliado por especialistas do Serviço Geológico do Brasil e do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), que classificaram a área como “instável”.

Além disso, essa ameaça vem prejudicando o trabalho dos bombeiros em busca por desaparecidos no local. “O Sindicato esteve lá e constatou, in loco, a dificuldade nas buscas. O soterramento foi grande, a lama é pesada e torna praticamente impossível a localização dos supostos desaparecidos”, diz Silva Filho. O corpo de bombeiros acredita que dois operários estejam soterrados, mas o número não é preciso.

O Porto Chibatão conta com um armazém alfandegado com 6 mil m², um pátio alfandegado com área total de 125 mil m² e um cais flutuante com 431,5 metros de comprimento e 30 de profundidade.

FONTE: Marília Brandão e Victor José, Redação Portal Transporta Brasil

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