domingo, 24 de junho de 2012

Sistema de segurança para caminhão ao detectar bloqueador de GPS

Os rastreadores modernos já têm um programa que detecta o bloqueador GPS. Quando isso acontece, o caminhão dispara uma sirene, diminui a velocidade até parar.

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O Fantástico mostra como bandidos usam tecnologia para roubar caminhões de carga, monitorados por empresas de segurança. E como as empresas de segurança deram o troco, na mesma moeda: usando a tecnologia. Esta semana, uma quadrilha que agia em três estados foi presa.

Madrugada de terça-feira (12). Espalhados em três estados, 150 policiais entram em ação. No estado do Rio, um dos bandidos chega a atirar contra os policiais, mas é capturado. Foram 22 prisões.

Os promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado participaram das investigações. Os policiais da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas monitoraram a quadrilha por três meses e descobriram bandidos gananciosos. “Eles roubavam todos os dias. Roubavam, às vezes, até mais de uma vez no dia”, relata Fábio Cardoso, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas – RJ.

Nesses três meses, os assaltos renderam cerca de R$ 6 milhões. A Via Dutra é a principal ligação entre o Rio e São Paulo. Nela, os ladrões agiam sempre da mesma forma. Armados, rendiam e sequestravam os motoristas, que ficavam em cativeiro até a quadrilha esconder o caminhão e a carga.

Foi assim com o filho de José Carlos Barreto. “Ele parou para comprar uma água. Quando voltou, o cara o rendeu, sequestrou e largaram às 3h da manhã”, ele conta. Até hoje o caminhão não foi recuperado.

Os ladrões ainda aproveitavam para sacar dinheiro com os cartões dos motoristas. Em um telefonema, gravado com autorização da Justiça, Roberto Fabiano, apontado pela polícia como um dos chefes da quadrilha, pede ao comparsa Anderson a senha do cartão de uma vítima mantida em cativeiro: “Se ele não falar certo, dá um tiro na perna dele até ele falar. Se ele não falar, dá um tiro na cara dele”.

Nos últimos nove meses, a Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas prendeu 212 pessoas. No primeiro trimestre de 2012, o roubo de cargas no Rio cresceu 30% em relação ao mesmo período de 2011.

O conjunto de um caminhão com a carreta vale mais de R$ 400 mil. Isso sem contar a carga que ele transporta, muitas vezes ainda mais valiosa. Para proteger esse patrimônio, as empresas investiram pesado em tecnologia, mas isso não garante mais a segurança de quem está na estrada. As quadrilhas também se especializaram.
Dentro do caminhão, tudo é monitorado. “Esse é um equipamento de rastreamento. Aqui a gente envia comando, solicita liberação de comando para desbloqueio do veículo, abertura de baú, desengate de carreta. Tudo isso eu faço aqui e a empresa acompanha lá. A empresa que rastreia esse veículo acompanha lá”, explica o caminhoneiro Lúcio Silveira.

Mas a quadrilha presa, essa semana, usava um aparelho que bloqueia o rastreador e chamadas de celulares. “É o mesmo equipamento utilizado no presídio, só que com tamanho reduzido e portátil”, diz João Gilberto, diretor de uma empresa de rastreamento.

Esse mesmo tipo de equipamento é usado por forças de segurança, como as que protegem comitivas presidenciais.

O rastreador tem uma antena que pode enviar todo tipo de informação para a empresa de monitoramento. O bloqueador usado pelos bandidos corta os sinais que enviam essas informações.

“Ele simplesmente para de transmitir, não tem capacidade de enviar nenhum alerta para a central de rastreamento”, diz João Gilberto.

Os rastreadores modernos já têm um programa que detecta justamente a aproximação do bloqueador. Quando isso acontece, o caminhão dispara uma sirene, diminui a velocidade até parar e não pode mais ser religado. “Ele desliga o sistema de combustível do veículo”, explica o diretor da empresa de rastreamento.

A empresa então recebe as informações de que o rastreador desligou o veículo e onde ele está. Aí, é só avisar a polícia.

Na operação que acabou com a quadrilha esta semana, a tecnologia também foi decisiva. Os policiais chegam à oficina de Luciano Benedito Ferreira e encontram muitas peças de caminhões roubados. Os agentes ainda não sabem onde ele está, mas o telefone de Luciano está grampeado.

A mãe avisa que outros integrantes da quadrilha estão sendo presos: “A casa do André está cheinha de polícia. Os camburões estão na porta da casa do André. E o André e o Clóvis estão amarrados no quintal”.

Em seguida, o bandido liga para o advogado.

Advogado: A gente se encontra aonde?
Luciano: Pode ser no posto.
Advogado: Que horas?
Luciano: Sete e meia.

Mas quem vai ao encontro marcado são os policiais. Vitória da tecnologia contra o crime organizado.

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